SEXUALIDADE E AFETIVIDADE - PARTE 02

SEXUALIDADE E AFETIVIDADE

Sexualidade e afetividade


AS CONSEQUENCIAS DO PECADO NA SEXUALIDADE

Devemos lembrar que somos uma unidade – de corpo e alma – e tudo que fazemos, nos afeta como um todo. Dessa forma, o que fazemos com o corpo, afeta a alma, e o que fazemos com a alma, afeta o corpo. “Não há como entregar o corpo sem entregar a alma” (D. Fulton Sheen).

Vimos até aqui o plano de Deus, quanto a sexualidade no ser humano. Porém, assim como o pecado original destruiu a amizade do ser humano com Deus, e consequentemente afetou toda a criação, o mesmo aconteceu quanto a sexualidade e afetividade.

Aquilo que era perfeito e belo, também se manchou. É o que vemos logo após a narração do pecado original, as consequências do pecado para o homem e para a mulher.

Não só perdemos a amizade com Deus, como também perdemos o equilíbrio conosco mesmo. Se o nosso corpo foi feito para responder a nossa alma e ela responder a Deus, o pecado fez com que o nosso corpo não mais respondesse a nossa alma, e esta não quer mais responder a Deus.

Vivemos em um conflito conosco mesmo, nessa guerra entre alimentar e buscar os prazeres, ora do corpo, ora da alma, mas sempre um em detrimento do outro. Isso causa um desequilíbrio dentro de nós mesmo, que traz consequências, sobretudo, no nosso relacionamento com as pessoas.


“Teu desejo te impelirá ao teu marido e ele te dominará” (Gn 3,16)


Essa desordem causada pelo pecado, atinge a nossa sexualidade, quanto ao nosso relacionamento com o próximo. Ao invés de vive-la de forma saudável, buscando a complementariedade, passamos a buscar no outro, apenas o prazer e saciedade. O que importa agora, é o que o outro pode me dar, e não o que juntos podemos somar.

No namoro e no casamento, essa desordem é mais perceptível, onde muitas vezes não existe mais a doação total para o outro, mas sim, a busca pelo prazer que o outro pode me dar. Passamos assim, a instrumentalizar as pessoas, para o nosso bem prazer, chegando até a desprezar aqueles que não tem, aos nossos olhos, mais serventia.


“A separação da alma e do corpo é a morte. Aqueles que separam o sexo da alma estão ensaiando para a morte” 

(D. Fulton Sheen)


Vejamos algumas consequências e desordens que o pecado trouxe na área da sexualidade e afetividade:


- Hedonismo / luxuria: 

É uma doutrina filosófica e ética que considera a busca pelo prazer e a evitação da dor como o objetivo supremo da vida humana. É tolamente acreditar que o prazer é a única ou principal forma para se chegar à felicidade. Assim como fazemos com a nata do leite, quer separar o prazer do ato sexual, negando a sua consequência natural e única razão biológica, a reprodução. 

Assim, cai na luxuria, no ‘desejo desordenado pelo prazer, buscando-o com fim em si mesmo, isolados das finalidades de procriação e de união’ – CIC 2351;


- Masturbação: 

Excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. Ato intrínseca e gravemente desordenado – CIC 2352. Busca o prazer, estimulando a imaginação, os sentidos e o próprio corpo, na busca de um prazer fugaz;


- Fornicação: 

União carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livre. É um escândalo grave quando há corrupção de jovens – CIC 2353. É o que vemos hoje em dia, é uma inversão: namorados vivendo como casados (tendo relação e muitas vezes vivendo juntos) e casados vivendo como namorados (qualquer briga pode levar a separação);


- Pornografia: 

Consiste em retirar os atos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros para exibi-los a terceiros de maneira deliberada. Desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si – CIC 2354;


- Prostituição: 

Vai contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida, assim, ao prazer venéreo que dela se obtém. É um flagelo social – CIC 2355;


- Homossexualidade: 

Designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominantemente, por pessoas do mesmo sexo. Nas Sagradas Escrituras, é apresentada como depravações graves (Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; 1Cor 6,9-10; 1Tm 1,10). São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza, sem nenhuma discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por essa condição. São chamadas assim à castidade – CIC 2358 e 2359


- Ideologias: 

Podemos dizer que as ideologias são as novas propostas da serpente ao ser humano, no seu contexto cultural e social; uma forma de afastar o homem da verdade, que é Deus. Toda ideologia, é uma ideia que parte de uma verdade, porém sempre com um meio ilícito e imoral, para perverter o ser humano e afastá-lo de Deus. (Cesar Augusto Nunes de Oliveira, A criação, obra da Santíssima Trindade, cap. XVIII-O relato da queda, as ideologias e seus efeitos destruidores).

Podemos citar duas ideologias. A primeira é a ‘ideologia de gênero’ que parte da verdade que devemos amar a todas as pessoas como ela são. Porém, o meio proposto é a desobediência ao plano original de Deus – “Homem e mulher ele os criou”. Assim, é fomentado que as pessoas que trazem feridas em sua sexualidade, as vivam como sendo algo bom e verdadeiro, ao invés de viver o amor divino.

Outra ideologia é o feminismo exacerbado, que aparentemente vem em defesa da mulher e das injustiças contra ela, porém nega as diferenças próprias, dadas por Deus na criação, entre o homem e a mulher. Busca então, não a complementariedade entre os sexos, mas a uma luta entre ambos, causando uma divisão onde deveria haver união;


- Aborto (provocado): 

O abordo direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral. Constituiu uma falta grave passível de excomunhão, não para restringir a misericórdia de Deus, mas para manifestar a gravidade do crime cometido – CIC 2271 e 2272;


Por fim, tratar o ato conjugal, o sexo, simplesmente como uma busca pelo prazer, traz sérias consequências, até psicológicas. Sensação de vazio, melancolia e frustação são as consequências de quem busca se preencher na busca pelo prazer.

Viver assim, é como imprimir uma montanha de dinheiro: as consequências são inflação em massa e uma grande desvalorização da “moeda”. Quando o sexo é vivido de qualquer forma, perde-se a sua dignidade, e ‘os envolvidos’ perdem o seu valor uns para os outros.

Jesus e as tentações

COMO SUPERAR AS FRAGILIDADES E COMO ACOLHER O OUTRO

A partir daqui, podemos nos perguntar, como viver a sexualidade e a afetividade, quando somos tentados por diversas formas, a vive-las de forma desordenadas.

Antes de tudo, devemos sempre nos lembrar que Deus jamais nos abandou em nossas faltas, e em seu filho Jesus, fomos resgatados e nossa amizade restaurada. Assim, nos deixou os meios e as graças necessárias, para vencermos toda e qualquer tentação e pecado.

Vajamos algumas formas:


Castidade e Temperança: 

Como vimos, a castidade é a virtude que nos ajude a termos controle de nós mesmos, dos nossos instintos, afetos e sentimentos. Para isso, precisamos submeter tudo isso, todas as nossas paixões, a nossa inteligência. Isso só é possível, quando somos movidos por um amor maior do que o nosso, ou seja, quando amamos mais a Deus, do que nos mesmos ou o prazer que o próximo pode me dar.

Unida a Castidade, a virtude da temperança nos ajude a compreender e viver os limites nas nossas ações e afetos, colocando freio aos nossos instintos, quando esses ultrapassam o limite da liberdade, passando para a libertinagem, que é o mal uso do livre arbítrio. Ou sejam ir contra vontade de Deus;  


Matrimonio: 

A castidade é vivida em todos os momentos de nossa vida – do solteiro ao casado. Mas aos que namoram ou são noivos, existem a grande tentação de viver, conforme a vida de casado. Assim, buscar não prolongar essas fases, podem ajudar ambos a permanecerem castos e fieis a Deus e um ao outro.

O Matrimônio traz os seus próprios desafios, da vida a dois, da missão confiada ao casal, sobretudo da procriação, além da vivência da castidade de ambos. Mas traz a marca da aliança, selada no Sacramento, como uma promessa de que Deus sempre os assiste com suas graças, para que enfrentem todas as dificuldades juntos, crescendo na amizade um do outro e com Deus;


Liberdade x Libertinagem: 

Talvez a melhor forma de conseguir viver bem a sexualidade, é formando bem a consciência, de forma cristã e madura. Enquanto o mundo tenta no dizer que ‘ser livre é fazer o que bem quiser fazer’, compreendemos que a liberdade, quanto passa do limite moral e até antinatural, passa a ser libertinagem, que é o mal uso da liberdade.

A libertinagem é uma agressão, não somente a Deus e sua vontade, mas a nós mesmo. O único caminho que chegamos, quando vivemos para fazer o que queremos, da forma que queremos, é ao vício, que uma forma de escravidão, onde perdemos o controle das nossas ações. Isso é justamente o contrário da liberdade, que nos liberta e nos leva a sermos aquilo que fomos criados para ser;


Pecado x Iniquidade: 

Como nos diz as Sagradas Escrituras “O Senhor examina o justo e o ímpio, ele odeia quem ama a violência” (Sl 11,5). O pecador, é aquele que comete o pecado, e, se arrependendo ou não, sabe que o que fez é errado. Já o ímpio, comete o pecado, e não reconhece que suas ações são erradas. Ama o que faz e muitas vezes incentiva as pessoas a fazerem o mesmo.

Meditando sobre a sexualidade e a afetividade, podemos nos deparar com alguma situação na qual estamos vivendo, e que sejam contrárias aos planos de Deus. Ainda que hoje não tenhamos forças para vencer essa situação, jamais podemos negar que ‘o errado é errado, e o certo é o certo’. Mas devemos nos confiar a misericórdia de Deus, pedindo a graça do arrependimento e da força para viver aquilo que Ele nos chama a viver;


Misericórdia / Acolhimento: 

Por fim, não somente devemos nos confiar a misericórdia de Deus, mas fazer o mesmo com os outros. Se por ventura, a sexualidade não é um ponto de tentação para nossas vidas, devemos lembrar que temos outras, que talvez sejam piores.

Isso nos leva a ter compaixão do próximo, e acolhe-lo, com suas dificuldades, fraquezas e fragilidades, sendo um apoio e um testemunho da graça de Deus. Afinal, jamais devemos nos afastar da misericórdia de Deus, único remédio para nossa salvação.


“Conflito entre dois amores: o amor de Deus impelido até ao desprezo de si, e o amor de si impelido até ao desprezo de Deus” 

(S. Agostinho)


REFERÊNCIAS

Sagradas Escrituras – edição Bíblia de Jerusalém;

Catecismo da Igreja Católica – edição Loyola;

A Conquista das Virtudes – Francisco Faus;

A Criação, obra da Santíssima Trindade – Cesar Augusto Nunes de Oliveira;

Manual Politicamente Incorreto do Catolicismo – John Zmirak;

Três para Casar – D. Fulton Sheen;

Encíclicas:

Humanae Vitae: A regulação da natalidade, S. Paulo XVI;

Familiaris Consortio: A missão da família cristã no mundo de hoje, S. João Paulo II;

Amoris Laetitia: Sobre o amor na família, P. Francisco;


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